Por que "torrente de impropérios"?

Briga no beco - Adélia Prado

O nome do blog faz parte de um verso do poema "Briga no beco", de Adélia Prado. Clique no post e leia o poema completo. Briga no b...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Pneu furado - Luís Fernando Veríssimo

O carro estava encostado no meio-fio, com um pneu furado. De pé ao lado do carro, olhando desconsoladamente para o pneu, uma moça muito bonitinha.

Tão bonitinha que atrás parou outro carro e dele desceu um homem dizendo "Pode deixar". Ele trocaria o pneu.

— Você tem macaco? — perguntou o homem.

— Não — respondeu a moça.

— Tudo bem, eu tenho — disse o homem. — Você tem estepe?

— Não — disse a moça.

— Vamos usar o meu — disse o homem.

E pôs-se a trabalhar, trocando o pneu, sob o olhar da moça.

Terminou no momento em que chegava o ônibus que a moça estava esperando. Ele ficou ali, suando, de boca aberta, vendo o ônibus se afastar.

Dali a pouco chegou o dono do carro.

— Puxa, você trocou o pneu pra mim. Muito obrigado.

— É. Eu... Eu não posso ver pneu furado. Tenho que trocar.

— Coisa estranha.

— É uma compulsão. Sei lá.


VERÍSSIMO, Luís Fernando. Pai não entende nada. Porto Alegre: L&PM, 1991.

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